Página:Ao correr da pena.djvu/121

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mbra das árvores completam a vista.

Dois vultos, um amante infeliz e uma moça em desespero - um condenado e uma louca - ocupam o meio da cena. Caco trecho de música de Bellini, cantado pela Charton, que nesta fazia o seu benefício.

Todos esperavam ansiosos esta festa musical dada pela cantora predileta do público, e às oito horas a creme dos dilettanti desta corte enchia o salão com as suas pessoas, e com uma quantidade enorme de flores e versos, que oportunamente surgiram de dentro dos bolsos e dos lenços, e inundaram o teatro.

Ergueu-se o pano, e começou o coro da alvorada. De repente mudou-se a vista, e a platéia estremeceu com uma salva tríplice de aplausos quase unânimes, que anunciaram a entrada da cantora.

Vinha trajada de azul, da mais bela cor que a natureza criou para cobrir as coisas lindas deste mundo, - as montanhas, o céu, o mar, e enfim as moças bonitinhas e alvas como o lírio, que não podem deixar de compreender que o azul foi feito para moldurar o branco.

A Charton disse admiravelmente a ária do segundo ato, e, apesar de todos os contratempos que sobrevieram, teve o poder de fazer da noite de seu benefício um completo triunfo.

Algumas cenas desagradáveis tiveram lugar esta noite; porém a imprudência que as motivou foi suficiente,mente castigada, não só pela manifestação pública, como pela energia da polícia, que conseguiu reprimir muitos abusos. À sua atividade devemos ter-se evitado um fato, que calamos por vergonhoso, e que talvez produzisse conseqüências bem tristes pela exacerbação a que tinham sido levados os ânimos.

Ao terminar o espetáculo, a orquestra do teatro, executando várias músicas, conduziu triunfalmente à sua casa a Charton, que seguiu a pé no meio de um concurso de mais de quatrocentos