Página:Como e porque sou romancista.djvu/14

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Rara vez sentava-se o diretor; o mais do tempo levava a andar de um a outro lado da sala em passo moderado. Parecia inteiramente distraído da classe, para a qual nem volvia os olhos; e todavia nada lhe escapava. O aparente descuido punha em prova a atenção incessante que ele exigia dos alunos, e da qual sobretudo confiava a educação da inteligência.

Uma tarde ao findar a aula, houve pelo meio da classe um erro. – Adiante, disse Januário, sem altear a voz, nem tirar os olhos do livro. Não recebendo resposta ao cabo de meio minuto, repetiu a palavra, e assim de seguida mais seis vezes.

Calculando pelo número dos alunos, estava na mente de que só à sétima vez, depois de chegar ao fim da classe é que me tocava responder como o primeiro na ordem da colocação.

Mas um menino dos últimos lugares tinha saído poucos momentos antes com licença, e escapava-me esta circunstância. Assim, quando sorrindo eu esperava a palavra do professor para dar o quinau, e ao ouvir o sétimo adiante, perfilei-me no impulso de responder; um olhar de Januário gelou-me a voz nos lábios.

Compreendi; tanto mais quanto o menino ausente voltava a tomar seu lugar. Não me animei a