Página:Como e porque sou romancista.djvu/16

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que eu traguei silenciosamente, para não abater-me ante a adversidade.

Nossa classe trabalhava em uma varanda ao rés do chão, cercada pelo arvoredo do quintal.

Quando, pouco antes da Ave-Maria, a sineta dava sinal da hora de encerrar as aulas, Januário fechava o livro; e com o tom breve do comando ordenava uma espécie de manobra que os alunos executavam com exatidão militar.

Pôr causa da distância da varanda, era quando todo o colégio já estava reunido no grande salão e os meninos em seus assentos numerados, que entrava em passo de marcha a sexta classe, a cuja frente vinha eu, o mais pirralho e enfezadinho da turma, em que o geral se avantajava na estatura, fazendo eu assim as vezes de um ponto.

A constância com que me conservava à frente da classe no meio das alterações que em outras se davam todos os dias, causava sensação no povo colegial; faziam-se apostas de lápis e canetas; e todos os olhos se voltavam para ver se o caturrinha do Alencar 2º (era o meu apelido colegial) tinha afinal descido de monitor de classe.

O general derrotado a quem a sua ventura reservava a humilhação de assistir à festa da vitória, jungido ao carro triunfal de seu êmulo, não sofria talvez