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XXII


Cova da Linda Flôr


(Rio de Janeiro)


Houve n'outro tempo um rei que tinha o habito de jogar, e todos com quem jogava perdiam. Uma vez convidou a um outro rei para jogar, e, no dia marcado, este se apresentou; mas perdeu todas as mãos do jogo, até que se desenganou e despediu-se para se ir embora. O dono da casa, que o desejava matar, marcou-lhe um outro dia para ir a palacio, o que era seu costume fazer com todos com quem jogava.

O outro foi avisado d'isto, e dirigiu-se a um ermitão para lhe aconselhar o que havia de fazer para evitar a morte. Este, não sabendo o conselho que lhe havia de dar, mandou que fosse ter com outro segundo seu irmão, que ainda o enviou para terceiro. Este ultimo aconselhou ao rei que se puzesse debaixo de uma arvore, que lhe indicou, e que tivesse cuidado nos passaros que n'ella se assentassem, afim de apanhar um escripto que um d'elles levaria no bico e largaria no chão, e que elle seguisse o que o tal escripto ensinasse. Assim fez. Encaminhou-se á arvore indicada, sentou-se debaixo, e d'ahi a uma hora vieram chegando os passaros, até que tambem chegou um que tinha o peito amarello que trazia o escripto, e o largou. O rei apanhou o papel, e leu as seguintes palavras: «O rei com quem jogaste tem tres filhas encantadas, que hão de ir se lavar no rio, virando-se em tres patas. Põe-te escondido na beira do rio até que ellas cheguem; depois que ellas tirarem a roupa para se banharem, deves apanhar a roupa da ultima que se despir e esconder-te com ella. Depois do banho as princezas hão de procurar a sua roupa, e a mais moça, não encontrando a sua, ha de ficar muito afflicta e promet-