Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/203

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Palmeiriz, elle conheceu logo Rosa e desmaiou; o rei fel-o voltar a si, e então elle contou como o retrato se parecia com uma irmã de criação que nunca mais tinha visto, e que elle muito amava. O rei mandou pedir a princeza, mas o pae escreveu-lhe, que ella não queria casar com ninguem e só se o rei fosse á sua côrte pessoalmente, ou se lhe mandasse tambem o seu retrato.

O rei não pôde ir, mas mandou o seu retrato por Palmeiriz d'Oliva. Chegado á côrte o pae de Rosa chamou-a para vir receber a mensagem e o retrato; mas a princeza assim que viu o seu irmão de criação deu um grande grito, e botou-se ao pescoço do pae, dizendo:

— Meu pae, este é que Deus destinou para meu marido. E contou tudo ao pae, como tinha vivido com Palmeiriz até o dia em que a foram buscar. O rei escreveu então uma carta ao seu amigo, contando-lhe o caso, e como Rosa só queria casar com Palmeiriz.

— Eu podia mandar-te matar, disse o amo de Palmeiriz, mas como sempre tive por ti muita estima é que o não faço. Quero ter comtigo um duello, sem que ninguem o saiba, mas em que um de nós hade morrer.

Palmeiriz oppôz-se áquella prova, porque não podia levantar mão para o seu bemfeitor, e quando estava no seu quarto muito afflicto, encontrou a carta destinada a ser aberta quando se visse em alguma grande afflicção. Abriu a carta, e por ella soube que estava em casa de seu proprio pae; correu a contar ao rei tudo, e este abraçou-o, dizendo que elle mesmo é que tinha escripto aquella carta para o tornar a achar, quando como seu filho natural o deu a criar em segredo, para o salvar do odio da rainha, que não tinha filhos. O proprio rei partiu com Palmeiriz para a côrte do pae de Rosa e lá se fez o casamento, que ia sendo causa de tanta desgraça e que se tornou de tanta felicidade.

(Algarve.)