Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/456

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231. A PONTE DA ALLIVIADA

Quando o diabo fez a ponte da Alliviada chamou S. Gonçalo, que andava a fazer a de Amarante, e disse-lhe que a não benzesse; o Santo ergueu a bengala a modo de cruz, assim como quem ao fallar aponta; o Diabo então fugiu para cima de um monte d'onde começou a atirar pedras ao santo, as quaes elle desviava.

(Leite de Vasconcellos, Tradições, p. 312.)




232. A PONTE DA MISARELLA

Um salteador das terras d'além Douro perseguido pela justiça embrenhou-se pelas serras de Traz-os-Montes, mas chegou á beira de uma torrente caudal e não pode passar. Para fugir offereceu a alma ao Diabo, e logo ali appareceu uma ponte, que se desfez logo que elle passou. Na hora da morte o salteador confessou-se, e o padre disfarçando-se em salteador chamou o Diabo, fez-lhe a mesma proposta, a ponte appareceu, e metteu-se por ella. Quando já estava no meio da ponte faz o signal da cruz, bota-lhe agua benta, e a ponte ficou firme até hoje. É de um só arco.

(Ap. J. A. d'Almeida, Dicc. Chorographico.)




233. LENDA DE SIMANCAS

A villa de Simancas, chamada de antes Gureba, cobrou este nome, porque sete donzellas que d'aqui haviam de ser levadas, se cortaram as mãos para d'este modo