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FABRICIO
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Pensou, — este viver de mim dá cabo!
Vou tornar-me caseiro,
E despender com regra o meu dinheiro!

Julgas, leitor, que o malandrão sem brios
Aos pés da esposa martyr se arrojasse,
Lhe pedisse perdão dos seus desvios,
E, finalmente, se regenerasse?
Mais possivel seria
Miar um dia o cão, ladrar o gato,
Do que entrar contricção na alma sombria
Daquelle pulha ingrato.
Pezar de não ser joven, nem prendado,
Fabricio conseguiu, e sem fadiga,
Seduzir uma linda rapariga,
Que só vivia do trabalho honrado.
Elle poz casa e foi morar com ella.
Olga Menezes se chamava a bella.

Mudou de vida, isso mudou. Agora
Sempre á repartição chegava á hora,
E até já não bebia nem jogava,
Coisa que assombro universal causava.
Tornara-se caseiro,
Passando o tempo inteiro,
Que lhe sobrava do serviço, ao lado
Da mulher com que estava amasiado,
E de uma vez por todas olvidando
O domicilio conjugal. E quando
Teve a esposa noticia