Página:Diva - perfil de mulher.djvu/146

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— Pois bem! — exclamei eu com a voz surda e trêmula. — A senhora quer! É verdade! Eu a amo! Mas aquela adoração de outrora, aquele culto sagrado cheio de respeito e admiração... Tudo isso morreu! O que resta agora neste coração que a senhora esmagou por um bárbaro divertimento, o que resta, é o amor brutal, faminto, repassado de ódio... é o desespero de se ver escarnecido, e a raiva de querê-la e obrigá-la a pertencer-me para sempre e contra sua própria vontade!...

— Eu o desprezo!... respondeu-me Emília.

Era quase noite. A voz de Julinha soou no jardim, chamando a prima. Eu ia dar um último passo para Emília; hesitei.

— Fuja, senhora!

Ela não se moveu; ficou muda enquanto os ecos da voz de Julinha continuando a chamá-la ressoavam ao longe. Quando o silêncio restabeleceu-se, e parecia que a prima se tinha afastado, ela veio colocar-se em face de mim, e erigindo o talhe e cruzando os braços afrontou-me com o olhar.

— O senhor é um infame! disse com arrogância.

Fiz um esforço supremo; inclinei-me para beijar-lhe a fronte. Seu hálito abrasado passou em meu rosto como um sopro de tormenta.

Ela atirara rapidamente para trás a altiva cabeça, arqueando o talhe; e sua mão fina e nervosa flagelou-me a face sem piedade.

Quando dei acordo de mim, Emília estava a meus pés. Sem sentir eu lhe travara dos pulsos e