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DOM JOAO VI NO BRAZIL 703

chal, Brito, o morgado de Matheus, Gameiro, Reys, etc. consultaram confidencialmente bem como a Wellington, foi de opiniao que, para ser viavel, a suggestao nao devia ema- nar do Brazil : a iniciativa da monarchia independent* do Prata cabia aos insurgentes, melhor dito ao governo de Buenos Ayres.

Outrosim hesitariam necessariamente as potencias allia- das em aconselhar a um soberano que se desprendesse de parte dos seus dominios hereditarios, sem primeiro exhaurir todos os outros meios de conservar a integridade da sua coroa. O contrario seria de todo ponto avesso as doutrinas da legitimidade. De mais, si a Franca favorecia o piano, que ja fora de Richelieu, a Austria e a Prussia (a Russia, ja se sabe, era toda pela Hespanha) pelas vozes de Vincent e von Goltz, seus representantes em Pariz, encaravam com desconfianc,a o apregoado constitucionalismo da futura mo narchia, tendencia por outro lado inevitavel, caso ella se tornasse uma realidade, porque, como bem ponderavam Pal- mella e Marialva, "os povos do Prata ja se tinham acostu- mado a um governo republicano, posto que desordenado".

Em semelhantes conduces de receptividade politica, e evidente que a implantac,ao, ou antes a transplantagao do absolutismo que na Europa os governos estavam animando tanto, seria um impossivel, nao so uma perigosa experiencia. "Ora, commentavam os plenipotenciarios portuguezes no seu officio de 24 de Dezembro de 1818, (l) se isto acon- tecer, no estado em que se achao aquelles povos, faltos de instrucgao e cheios de ideas revolucionarias, longe de ser entao a projectada Monarquia hum vehiculo para a pacifica-

��(1) Mago cit., no Arch, do Min. das Rel. Ext.

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