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DOM JOAO VI NO BRAZIL 1037

pidez quasi fulminante. Conta Maler (i) que a populagao, de respeitosa que era da realeza por natureza e por habito, se tornara insolente e turbulenta desde que se inteirara dos primeiros acontecimentos de Portugal. Choviam sarcarmos e borbulhavam pasquins ridicularfzando a confianga mani- festada pelo Rei no restabelecimento da ordem e das formas.

Manifestada, melhor se dfria apparentada. O silencio real, observado para com o proprio Principe Dom Pedro, denuociava vaeillagao mais do que astucia. Na incerteza das cousas, Dom Joao refugiava-se na inacgao, fiava-se na Pro- videncia e achava ganho nas demoras. Quando a 12 de No- vembro o alcangaram, com uma travessia de 44 dias, no brigue de guerra Infante Dom Sebastiao, as novas do suc- cedido em Lisboa, ficou porem succumbido. A .fatalidade podia mais do que o fatalismo. Maler participava ao seu chefe em Pariz (2) que se retirara da ultima audiencia de- veras pezaroso, porquanto o Rei estava por forma tal im- pressionado e abatido, que era ponto de duvida si con- seguiria n aquella condicao deliberar e agir de modo con- veniente. A finura ficara annullada pela fraqueza.

Nao querendo imputar ao Rei as responsabilidades, culpava Maler o seu gabinete - -uma cousa que bem sabia nao existir - - de ter f echado voluntariamente os olhos ao dissabor progressivo da nagao portugueza, desprezado o aviso da revolugao hespanhola, permanecido perplexo ante a revolugao portuense e de todo descorogoado com a noticia da insurreigao lisbonense. Tomar um expediente, philoso- phava o encarregado de negocios de Franga, e sobremaneira difficil quando nada esta preparado, tudo falta e se reputa

��(1) Officio de 10 de Novembro de 1820.

(2) Offieio de 15 de Noveuibro do 1820.

��D. J. 65

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