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ENEIDA. — LIVRO I.


Donde arribámos, a lograr voltemos
A apercebida sicula hospedagem,
E o regio amparo.» O Dárdano termina:
Lavra entre os seus approvador sussurro.
       590 O rosto abaixa Dido, e foi succinta:
«Sus, Teucros, esforçai. Recente o estado
Ao rigor me constrange, e a defender-nos
Guarnecendo as fronteiras. Quem de Enéas
Desconhece a prosapia, e as guerras d’Ilio,
       595Seu valor, seus heroes, seu vasto incendio?
Nem somos nós tam broncos, nem de Tyro
Tam desviado o Sol junge os cavallos.
Quer da saturnia Hesperia, quer as margens
D’Erix opteis, em que domina Acestes,
       600Contai com meu auxílio e salvaguarda.
Folgais de aqui ficar? Esta cidade
Que erijo, he vossa; as naus que se approximem:
Não farei destincção de Phrygio a Peno.
Fôsse o rei vosso á Libya compellido
       605Do mesmo Nôto! O litoral já mando
E os sertões perlustrar; se he que o naufragio
Em povoado ou brenha o traz perdido.»
   Ambos álerta, o padre e o companheiro
Ha müito almejam por quebrar a nuvem.
       610A Enéas se antecipa o forte Achates:
«Nado de Venus, que tenção meditas?
Tens a frota em seguro, os teus bemquistos;
Um só que falta, sossobrar o vimos:
Ao que a mãe te esboçou quadra o mais tudo.»
       615 Mal acabava, a nuvem circumfusa
Se rompe e funde nos delgados ares.
Um deus na espalda e vulto, á claridade
Resplende Enéas; que n’um sôpro a deusa
Ao filho a cabelleira em fulgor banha,
       620Em luz purpúrea o juvenil semblante,