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ESAÚ E JACOB

Quando chegou a casa, viu Natividade a contemplar os meninos, ambos nos berços, as amas ao pé, um pouco admiradas da insistência com que ella os procurava desde manhã. Não era só íital-os, ou perder os olhos no espaço e no tempo; era beijal-os tambem e apertal-os ao coração. Esqueceu-me dizer que, de manhã, Perpetua mudou primeiro de roupa que a irmã e foi achal-a deante dos berços, vestida como viera do Castello.

— Logo vi que você estava com os grandes homens, disse ella.

— Estou, mas não sei em que é que elles serão grandes.

— Seja em que fôr, vamos almoçar.

Ao almoço e durante o dia, falaram muita vez da cabocla e da predicção. Agora, ao ver entrar o marido, Natividade leu-lhe a dissimulação nos olhos. Quiz calar e esperar, mas estava tão anciosa de lhe dizer tudo, e era tão boa, que resolveu o contrario. Unicamente não teve o tempo de cumpril-o; antes mesmo de começar, já elle acabava de perguntar o que era. Natividade referiu a subida, a consulta, a resposta e o resto; descreveu a cabocla e o pae.

— Mas então grandes destinos?

— Cousas futuras, repetiu ella.

— Seguramente futuras. Só a pergunta da briga é que não entendo. Brigar porquê? E brigar como? E teriam deveras brigado?

Natividade recordou os seus padecimentos do tempo da gestação, confessando que não falou mais delles para o não affligir; naturalmente é o que a outra adivinhou que fosse briga.

— Mas briga porquê?

— Isso não sei, nem creio que fosse nada mau.