Página:Espontaneidades da minha alma.djvu/25

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Amo o silencio da noite,
Quando em lua prateada,
Modulando amenos versos
Os dirijo á minha amada:
E quando todos dormindo,
Só eu vejo dispertada
A minha sorte cruel
Minha sorte malfadada.

Amo o silencio da noite,
Lembrando antiga paixão,
Sonhando os sonhos de amor
Que gosou meu coração:
Oh! então sinto e lamento
Só ficar recordação
Dessa agora já volvida
Meiga, terna sensação.

Amo o silencio da noite,
Quando contemplo a dormir,
O somno de um innocente,
Que dorme sem o sentir:
Que só idéas fagueiras
Em sonhos lhe podem vir
E que dos males da vida
Não sentio o seu pungir.

Amo o silencio da noite,
Quando donzella formosa,