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ESPUMAS FLUCTUANTES


Meu lar está deserto... Ura velho cão de gua da
Veiu saltando a custo roçar-me a testa parda,
Lamber-me após os dedos, porém a sós comsigo
Rusgando com o direito, que tem um velho amigo.

Como tudo mudou-se I... O jardim′stá inculto.
As roseiras morreram do vento ao rijo insulto...

A herva inunda a terra; o musgo trepa os muros
A urtiga silvestre enrola em nós impuros
Uma estatua cabida, em cuja mão nevada
A aranha estende ao sol a têa delicada!...
Mergulho os pés nas plantas selvagens, espalmadas,
As borboletas fogem-me em lúcidas manadas...
E ouvindo-me as passadas tristonhas, taciturnas,
Os grilos que cantavam, calaram-se nas furnas...

Ó jardim solitário! Relíquia do passado!
Minh′alma, como tu, é um parque arruinado!
Morreram-me no seio as rosas em fragrância,
Veste o pezar os muros dos meus vergéis da infância.
A estatua do talento, que pura em mim serguia,
Jaz hoje — e nella a turba enlaça uma ironia!...
Ao menos como tu, lá d′alma n′um recanto
Da casta poesia ainda escuto o caiito.
— Vozdocéo, que consola, se o mundo nos insulta,
E na gruta do seio murmura um threno occulta.

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