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Farias Brito


muitas vezes vencer e acontece, não raro, que o erro domina como verdade. Mas êsse domínio é sempre transitório porque as vitórias do êrro, como as conquistas realizadas pelas manobras do crime, são sempre acidentais e efêmeras, e é sempre à verdade que cabe, depois de tudo, a vitória definitiva”.

Aí temos, no seu traço mais tipico, o retrato moral dêsse homem que vamos acompanhar, na sua trajetória humana, de bêrço a túmulo. O egrégio pensador, glória das mais legitimas da nossa cultura, viveu, lutou, sofreu, por vezes amargamente, na aspereza da penúria, no isolamento e na incompreensão, mas sempre qual indefectivel, abnegado e impávido paladino da Verdade, onde quer que a julgasse vislumbrar, fosse ela qual fôsse, mas desde que como tal se lhe antolhasse. Essa atitude intelectual de Farias Brito, tão rara, merece toda a nossa comovida admiração e o nosso aplauso entusiástico, embora tenhamos que divergir em pontos fundamentais da sua doutrina filosófica.

No último dos seus volumes publicados, aquele que nos dá o seu pensamento já em plena maturidade, encontramos ainda, nas primeiras como nas derradeiras páginas, a mesma constante profissão de fé na Verdade. A par da profundeza da análise filosófica, a emoção do genuino homem de caráter, do poeta — digâmo-lo assim — na mais alta, mais nobre e mais bela das accepções do vocábulo.