Página:Herculano, Alexandre, História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, Tomo II.pdf/148

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Foi nos princípios de setembro que o arcebispo do Funchal e D. Henrique de Meneses receberam as ultimas instrucções de que anteriormente falámos. Era tarde. Simonetta, elevado ao cardinalato, governava Roma na ausencia do papa, e este mostrava-se tão persuadido da justiça das suas ultimas resoluções que affirmava merecer por isso a apotheose[1]. Do cardeal Simonetta, homem de princípios severos, e que havia tractado longamente o negocio dos christãos-novos, nada havia, portanto, que esperar, e ambos os embaixadores eram concordes em reputar Paulo iii como inteiramente adverso ás pretensões d'elrei. D. Henrique, especialmente, pintava com sombrias cores a irritação do pontifice e a malevolencia de Simonetta e de Ghinucci, tambem feito agora cardeal, contra tudo o que dizia respeito ao governo português[2]. Entretanto, D. Martinho mostrava nesta conjunctura a as-

  1. Carta de D. Martinho, cit.:. «e crê (o papa) pelo que tem feito nisto que merece canonisarem-no
  2. Como D. Martinho, D. Henrique escreveu em 13 de setembro de 1535 a elrei. Esta carta não a podámos encontrar; mas refere-sea ella, resumindo-a, o mesmo D. Henrique na de 1 de novembro deste anno, que se acha na G. 20, M. 7, N.° 23.