Página:Herculano, Alexandre, História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, Tomo II.pdf/169

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de Roma D. Martinho, revocando-o á corte, e elevando assim uma barreira insuperavel ás suas ambições. Pelo que, porém, respeitava aos negocios da Inquisição, era necessario contrapor ás sympathias que os conversos haviam conciliado na curia, ás poderosas protecções que tinham comprado e ás convicções do pontifice sobre a justiça da sua causa uma influencia que, sobrepujando todos esses elementos de resistencia, os vencesse e inutilisasse. A's intrigas e astucias diplomaticas estava provado que podiam os christãos-novos oppor outras intrigas e astucias, ás corrupções outras corrupções e á mascara do zelo religioso a realidade das doutrinas evangelicas de tolerancia e de humanidade. O unico arbitrio que se offerecia para achar uma alavanca poderosa, capaz de alluir e derribar esse conjuncto de obstaculos, era fazer intervir seriamente na questão a omnipotente vontade de Carlos v. Como vimos, já se havia recorrido a este arbitrio, mas frouxamente e com infeliz successo. Ou os christãos-novos tinham sabido dobrar o animo do embaixador hespanhol em Roma, ou o proprio imperador não servira nesse ponto o cunhado com sincera vontade. Todavia, este meio era aquelle em que sobretudo insistia desde muito D.