Página:Herculano, Alexandre, História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, Tomo II.pdf/210

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a proteger de novo a causa daquelles que pouco antes entregara aos odios dos seus perseguidores[1]. Não se limitava o prelado italiano a dar estes passos occultos. Elle proprio expunha ao pontifice com vivas cores (no que não cremos lhe fosse necessario exaggerar ou mentir) o que havia inconveniente, injusto e anti-christão nas ultimas concessões feitas ao fanatismo por motivos politicos[2]. Temia o pontífice indispor contra si os dous princi-

  1. Em carta do embaixador Pedro de Sousa de Tavora de 20 de janeiro de 1538 (Corpo Chronol., P 1, M. 60, N.° 76), escripta parte em cifra, falando da prisão de Micer Ambrosio, secretario do papa, pelo excesso da sua venalidade, diz o agente português: «E antre as outras (peitas) ho bispo de Senegalha lhe apresentou logo quando vêo de Portugal (segue em cifra). Também entendi que (cifra) agora (cifra) não sabendo (cifra) ho mandava commetter por parte dos mesmos (cifra) cada ano (cifra) cruzados, ou mais, para que os favorecesse e estas (cifra) as mãos (cifra); por onde não creo que tenha muito contentamento (cifra) porque quem aquillo commette a outrem he sinal que não duvidará para sy também tomar o que lhe derem».
  2. «Quia jam præfatus dominus nuntius eratin curia, et sanctitatem suam de omnibus supradictis, pro justitia et veritate, ut creditur, informa verat». Memoriale, 1. cit f. 48 v.