Página:Historia e tradições da provincia de Minas-Geraes (1911).djvu/123

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Uma paixão infeliz alimentada na solidão, na monótona serenidade de um lar doméstico quase vazio, quando após um passado de inocência, remanso e alegria nos embebemos em um futuro onde só vemos lágrimas e dores, quando a deses­perança com sopro de fogo vem secar uma lágrima consola­dora, que a saudade talvez quisesse fazer brotar nas pálpebras lívidas, essa paixão é um cancro que rói as fibras do coração, um sopro de morte, que desseca e estanca a seiva da existência.

Tal era o viver da mísera Paulina, depois que vira transpor as últimas colinas o vulto de Eduardo, e com ele todas as suas esperanças. Uma tristeza profunda, indizível, lhe envolvia a alma como um crepe negro. Todos os encantos da solidão que habitava, aqueles largos e luminosos horizontes e aquelas pitorescas