Página:Historia e tradições da provincia de Minas-Geraes (1911).djvu/130

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– Não, meu pai, – exclamou a moça tomando a mão de seu pai, beijando-a com ternura e banhando-a em lágrimas; – já que meu pai assim o quer, e assim acha conveniente, farei o que meu pai determina, visto que esse casamento,– murmurou ela em voz mais baixa e como a medo, se não pode me fazer feliz, também não me tornará mais desgraçada do que sou Paulina, que já tinha renunciado a toda a esperança de felicidade no mundo, não quis e nem pôde recusar-se ao sacri­fício que dela exigia seu pai quase com as lágrimas nos olhos. Se não tinha amor a seu primo, também não lhe tinha aversão. Casada ou não, teria de sofrer sempre até morrer. Resignou-se portanto e curvou-se à vontade de seu pai, porque assim tinha ao menos o prazer, embora fosse por pouco tempo, de alentá-lo com a esperança de um futuro no qual ela mesma pouca ou nenhuma confiança tinha.

Nesse mesmo dia Joaquim Ribeiro despachou um próprio com um bilhete a Roberto, pedindo-lhe que o mais breve que fosse possível chegasse a sua casa. Escusado é dizer, que no outro dia à hora de almoço Roberto apeava-se ofegante e ansioso de curiosidade à porta da casa de seu tio, e largando à porta o animal batendo virilha e pingando suor, de dois pinotes