Página:Historia e tradições da provincia de Minas-Geraes (1911).djvu/201

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que se sujeitassem por muito tempo a um trabalho contínuo e regular.

Atraídos pelo desejo de obterem algumas roupas, ferramentas, armas e enfeites, acudiam de quando em quando ao seminário; mas no fim de um a dois meses quando muito aborreciam-se do trabalho, entregavam-se à sua natural indo­lência e, se apertavam com eles, desapareciam, e internavam-se de novo pelas matas do Rio Grande, continuando sua vida nômade e selvática.

Em um desses bandos, que se acolhiam às vezes à fa­zenda de Campo Belo havia uma caboclinha nova por nome Jurema, não de todo linda, mas um pouco menos feia e mais bem-feita do que as suas companheiras. José Luís, moço branco e bem-disposto, empregado no seminário, agradou-se sumamente dela, e por tal arte soube catequizá-la, que no fim de algum tempo Jurema lhe deu uma linda e viçosa filhinha.

Sabedores do fato os padres induziram José Luís a ca­sar-se com a índia. Batizaram-se ao mesmo tempo a mãe e a filha, e no dia seguinte o pai e a mãe receberam-se em legí­timo matrimônio. Jurema trocou o seu nome selvático pelo de Ana, e a filha, que a mãe chamava Jupira, pelo de Maria.

Os índios não punham dificuldade alguma em se deixa­rem batizar, casar e receber todos os mais