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MÃI E FILHOS


bargo, D. Affonso VI tem uma tradição galante, de aventuras amorosas... armadas no ar como os castellos de Hespanha.

Eu sei que me corre o dever de ser mais discreto do que a historia. Sei isso. Não irei revolver as monstruosidades escandalosas da nullidade do casamento de D. Affonso VI. Nada d'isso. Procurarei apenas, na vida do successor de D. João IV, o que possa haver de contavel em materia de galanteria com mulheres.

Supponham que nasceu n'um monturo uma flôr. Tem-se visto. Eu arrancarei delicadamente a flôr, sem tocar no monturo.

O snr. Andrade Corvo, n'um bello romance historico que eu anteponho, com muita proeminencia, a varios livros do mesmo genero, á Mocidade de D. João v por exemplo, conta as proezas galantes que D. Affonso VI fizera por amor da Calcanhares, uma hespanhola.

Agora, que estão publicadas as Monstruosidades do tempo e da fortuna, sabe-se que o facto é inteiramente verdadeiro, porquanto o author d'este livro, seja frei Alexandre da Paixão ou não seja, escreve com toda a sua authoridade de contemporaneo:

«Acabado o dia soube a rainha que em uma janella do Paço estivera vendo a festa uma mulher conhecida tanto pelo nome, como pela vida, celebrada pela alcunha de Calcanhares, sustentada para feitiço de sua magestade.»