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HISTORIAS DE REIS E PRINCIPES


Fico por aqui para não desdobrar um estendal de nomes... estrangeiros. N'isto é que eu sou patriota.

Ha meio seculo apenas, raro principe sahia lettrado. A educação, vasada ainda tradicionalmente nos moldes medievaes, tendia a fazer d'elles mais homens do que sabios. É certo que, mesmo entre nós, D. Diniz, D. João I e D. Duarte cultivaram as lettras, mas só de passagem. E assim aconteceu até ao tempo em que floresceram os filhos d'el-rei D. João VI. Equitação, caça, jogo de armas, alguma musica, e pouco mais como prendas de educação. Ora D. Miguel foi educativamente modelado á feição e similhança dos seus antecessores. Sahiu, pois, completamente, um principe do seu tempo.

De minguadissima illustração, exhibia com pericia os dotes da sua educação physica. Era excellente cavalleiro. Os soldados, quando o viam a cavallo, ficavam enthusiasmados, e, quando a cavallo tinham de seguil-o, ficavam estropeados.

D. Miguel partia de Queluz para Lisboa au grand galop, tomando uma dianteira enorme ao esquadrão que o acompanhava. E o seu cavallo, quando elle apeava, ficava com os peitos abertos.

As mulheres, sentindo a correria doida d'um cavallo, vinham á janella para vêr passar D. Miguel, que era joven, bem posto, e rei absoluto. Rei absoluto! A personificação viva de todo o poder terreno, emanado do poder divino! Era para deslumbrar os homens, quanto mais as mulheres!

Muitas trovas populares fallam ainda hoje da