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MAXIMILANO EM PORTUGAL


ficios, verdadeiramente dignos de uma grande cidade, com estabelecimentos ricamente adornados. Perto das Necessidades as casas tornam-se mais irregulares e menos bem alinhadas: conforme ao gosto portuguez, são pintadas a oleo em tons assanhados (criards) verdes ou azues.»


II

Maximiliano refere-se á cidade velha, dizendo que ella fórma um completo contraste com os novos bairros. Classifica-a de medonho zig-zag que sobe e desce: as ruas cheias de excrementos de animaes e de ratos mortos. Julga precisa uma grande coragem para habital-as, e ainda para transital-as.

Arde-nos? É pimenta. Mas, diga-se a verdade, devia ser assim em 1852, pela simples razão de que ainda o é em 1889.

Eu não sei bem a que Maximiliano chama a cidade velha, se se refere á collina oriental ou occidental, ao Castello ou ao Bairro Alto. Mas, em qualquer dos casos, a apreciação é fundamentada.

Ha trinta e sete annos os despejos faziam-se ainda da janella abaixo, depois da famosa prevenção do agua-vai. Ás vezes nem a prevenção se fazia. Uma anecdota de Bocage conta que, achando-se o poeta n'uma situação muito naturalista, recebêra sobre o dorso uma baldada d'agua chilra, que lhe despejára uma criada, a qual elle apostrophou n'este chistoso improviso: