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HISTORIAS DE REIS E PRINCIPES


do me disseram, é o mais celebre escriptor de Portugal. Suspeito-o mais escriptor que estadista: de resto, falla perfeitamente o francez.»

Maximiliano esquissa o perfil do marechal: «um homem gordo, constellado de condecorações, com os cabellos crespos e brancos de neve, bigode retorcido, côr de azeitona e lunetas escuras com aro de aço.»

Finalmente, o archiduque encontra-se com a rainha, com o rei D. Fernando, e os tres principes mais velhos, D. Pedro, D. Luiz e D. João.

«Maria da Gloria, diz o archiduque, é alta e direita; as suas feições são nobres e graves, o cabello louro e fino. Tem os olhos azues dos Habsburgos, mãos pequenas e, por infeliz contraste, uma corpulencia genuinamente portugueza, horrivelmente exaggerada e realmente inaudita. Não obstante (o que faz o elogio das suas graças naturaes) e cheia de elegancia e vivacidade nos movimentos. Vi-a correr como uma donzellinha nos seus aposentos, e ouvi dizer que dança graciosamente e sóbe com ligeireza o estribo da carruagem. Vestindo com delicadissimo gosto, é ainda seductora a despeito da nutrição; poder-se-ia dizer até que, por momentos, é bella.»

Este esboço não destoa dos retratos que conhecemos da rainha e nos quaes é facil encontrar exacta semelhança com o perfil traçado pelo snr. D. Antonio da Costa na Historia do marechal Saldanha: «gentil, como os seus quatorze annos, a pelle, setim; a côr, alva; olhos, celestes; cabellos, como o oiro; porte, nobre; rosto, reflexivo; etc.»