Página:Historias de Reis e Principes.djvu/194

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
187
MAXIMILANO EM PORTUGAL


merosas marradas; finalmente, arrastaram-nos para fóra da arena todos ensanguentados e semi-mortos. Asseguraram-me, porém, que uma pouca de terra do circo, deitada n'um copo d'agua, bastaria a cural-os prodigiosamente, e que poderiam reapparecer na lide do domingo seguinte. Tudo isso me fazia horror, ao passo que em Hespanha senti-me, á vista do combate, emocionado e arrebatado.»

Mas o archiduque confessa que o divertiu muito o facto de um touro ter saltado duas vezes á trincheira, e de um outro touro ter investido com um cavalleiro, que se não desestribou, mas que no embate perdeu a cabelleira.

Então o archiduque riu francamente com o povo.

«N'esse momento, diz Maximiliano, todo o ardor hespanhol despertou em mim, e por bravos involuntarios, que não seriam talvez muito convenientes na presença da rainha, testemunhei a minha satisfação ao bravo animal, desejando-lhe um successo mais decisivo.»

Parece que Maximiliano quereria que o touro houvesse derrubado e amolgado o cavalleiro.

Como o infeliz archiduque haveria gostado, se lh'a tivessem dado a lêr, da Ultima corrida de touros em Salvaterra, de Rebello da Silva!

Aquillo é que eram touros á castelhana, no tempo do senhor D. José!

Maximiliano foi convidado para um dos grandes bailes do marquez de Vianna, n'aquella época tão faustosos. Viu ahi a primeira sociedade de Lisboa.