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DUAS IMPERATRIZES



nhas convicções. Finalmente, antepondo a independencia, as qualidades de coração, a honra de familia aos preconceitos dynasticos e aos calculos da ambição, não serei menos forte, porque serei mais livre.

«Brevemente, dirigindo-me a Notre-Dame, apresentarei a imperatriz ao povo e ao exercito; a confiança que elles depositam em mim asseguram a sua sympathia por aquella que eu escolhi, e vós, meus senhores, desde que a conheçais, ficareis convencidos de que ainda d'esta vez fui inspirado pela Providencia.»

O casamento realisou-se na igreja de Notre Dame a 30 de janeiro d'esse anno.

Uma tradição hespanhola diz que as perolas, com que no dia do casamento se adornam as noivas, virão a converter-se em outras tantas lagrimas.

Eugenia de Montijo não deu importancia a esta tradição, e completou a sua toilette de noiva com um collar de perolas.

A tradição não mentiu d'esta vez.

A imperatriz vendeu o collar, com as suas outras joias, depois da guerra franco-prussiana.

Os imperadores foram viver para o pequeno castello de Villeneuve-l'Etang, que ainda está de pé no parque de Saint-Cloud.

Vinte e quatro horas depois do casamento, os noivos passeavam n'um phaeton, que o imperador guiava, através dos bosques estrellados de neve, que um bello sol de inverno doirava.