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HISTORIAS DE REIS E PRINCIPES


livros, os mais queridos e, não longe, n'uma grande meza aberta, todo o trem de desenho, os pinceis, papel, caixas de tintas, porque a imperatriz tinha grande facilidade para a aguarella.

Seguia-se um outro compartimento destinado a bibliotheca, povoado de obras escolhidas na litteratura franceza, ingleza, hespanhola e italiana, linguas que a imperatriz fallava com destreza. Á mistura com os livros, muitos primores artisticos: Wouwermans de um valor incalculavel. E numerosos retratos, do conde de Montijo, do imperador, do principe imperial, da rainha da Hollanda, da rainha Sophia, etc.

Sahindo-se d'este compartimento, atravessava-se uma ante-camara sem janella, apenas illuminada por uma lampada accesa de noite e de dia. Vinha dar a esta ante-camara, que era o esconderijo dos papeis das Tulherias, a pequena escada que descia directamente para os aposentos do imperador. Todos os papeis, numerados e alphabetados, estavam ahi guardados n'um armario secreto.

D'esta ante-camara passava-se a uma vasta sala, allumiada por tres grandes janellas rasgadas sobre um balcão: era o gabinete de toilette da imperatriz, todo coberto d'espelhos. A meza de toilette tinha guarnições de renda branca e sêda azul. E do tecto descia, por um engenhoso machinismo, a que já tivemos occasião de alludir, o monte-charge que trazia os vestidos de que a imperatriz precisava.

Uma saleta com uma só janella communicava o gabinete de toilette com o quarto de cama, dividido