Página:Historias de Reis e Principes.djvu/262

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De Paris, essa desgraçada senhora fôra para Roma, implorar o auxilio do chefe da igreja catholica. Receiosa de que a quizessem envenar, depois que lhe serviram a laranjada em Saint-Cloud, apenas se alimentava de fructas. Entrou no Vaticano no momento em que Pio IX almoçava. Arrancando da mão do Papa uma chavena de chocolate, tomou-o soffregamente exclamando:

—Ao menos este não estará envenenado!

Sempre receiando uma cilada, não quiz recolher-se ao hotel. Foi preciso consentir em que pernoitasse no Vaticano, n'uma camara visinha á de Pio IX. A loucura era completa, manifesta. Maximiliano estava perdido. Fôra esse crudelissimo desengano que esmagára a razão da pobre imperatriz.

Conduziram-n'a a Miramar, na esperança de que o aspecto de lugares conhecidos e queridos lhe restituisse a razão. O povo de Trieste, supersticioso como todo o povo, começou a consideral-a uma santa. Sim, santa de martyrio, santa de soffrimento. Mas louca para toda a vida. A dôr santificára-se n'ella em loucura. Deus fôra mais piedoso do que os homens creados á sua imagem e semelhança.

Bazaine, sahindo do Mexico, abandonára o imperador ás represalias dos juaristas. Antes de sahir, fizera lançar ao rio Sequia e ao lago Texcoco todas as suas munições. Que refinada perversidade a d'esse homem, que a Providencia castigou tão justa e sabiamente! Diz-se até que Bazaine tinha proposto a Juarez entregar-lhe Maximiliano por 50:000 dollars.