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HISTORIAS DE REIS E PRINCIPES


Então Henrique VIII lançou vistas para a Allemanha, o que politicamente não deixava de convir-lhe para encontrar allianças nos principes da liga protestante contra o imperador Carlos V.

Cromwell indicou-lhe Anna de Cleves, filha do duque d'este titulo.

Mandou-se pedir um retrato. Executou-o Holbein, celebre pintor, que se gozou das boas graças de Henrique VIII e da amisade de Thomaz Moore e Erasmo. Conta-se até que estando Holbein a trabalhar um dia no seu atelier, fôra bater-lhe á porta um dos primeiros senhores da côrte. Holbein desculpou-se de não poder abrir por estar trabalhando. O fidalgo insistiu. Holbein, impacientado, abriu a porta, e atirou-o pela escada abaixo. Receioso das consequencias d'essa imprudencia, correu a pedir a protecção de Henrique VIII, a quem o fidalgo foi sem demora queixar-se. O rei tentou congraçar o fidalgo com o pintor, mas, vendo que os seus esforços eram inuteis, disse ao fidalgo, que se vangloriava do titulo de conde:

—Eu posso facilmente fazer sete condes como vós; mas de sete condes não poderei fazer um Holbein.

Holbein, comquanto cultivasse a pintura historica, não faltando quem pense que elle seria o auctor do famoso quadro da Misericordia do Porto, foi principalmente notavel nos retratos. Pois apesar da habitual fidelidade do seu desenho e da exacta expressão do seu pincel, Holbein, no retrato de Anna de Cleves, obedeceu um pouco á adulação palaciana que