solemnidade theatral e doutoral, o Garcia de Orta não annunciado, da sublime escola de Java, examinou o doente e receitou em grego. Quasi ao sair, a mulher perguntou-lhe :
— Doutor, qual a dieta?
— Polho cozido ou caldo delle.
A mulher voltou para junto do marido, sem ter comprehendido a dieta, pois temeu mostrar-se ignorante em face do sabio, indagando o que era polho.
Logo que a viu, o marido ralhou-a com doçura :
— Filha, eu não dizia a você que esses médicos famosos não servem para nada… Este que você trouxe, fala que ninguem o entende, como se a gente falasse para isso… Receita umas mixordias misteriosas… Sabe você de uma cousa ? Continuo com o doutor Nepuchalyth, ali da esquina.
Este ao menos tem juizo e não inventou um modo de falar para elle só entender.
O exemplo de que falei acima, é o que se encontra em olhos[errata 1] de um famoso doutor lá de Java. Cito um unico, mas poderia citar muitos. O javanez, doutor de curas, queria dizer:
«Sou de opinião que a febre deve ser combatida na sua causa».
Julgou isto vulgar, indigno do seu titulo e das suas prerrogativas consuetudinarias, e escreve[errata 2] provocando a maxima admiração dos seus leitores, da seguinte fórma:
«Erro, quere perescer-me, é não se attentar donde provem tal febre com incendimento e modorra, para só tratal-a ás rebatinhas, tão de prompto como se mesmo fôra ella a doença, senão consequencia muita vez de vitaes desarranjos imigos da sã vida e onde o physico de recado achará a fonte ou as fontes do mal que deixa assi o corpo sem os bons e sãos aspeitos de sua habitual composição.»
Depois de uma belleza destas, a sua entrada na Academia foi certa e inevitavel, pois é nessa espécie de pot-pourri de estylos de tempos desencontrados, com o emprego de um vocabulario senil, tirado á sorte; de salada de feitios de