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HORTO

Hostia loura e formosa, ó meu sonho dourado!
Açucena do Céo, archanjo immaculado
Que as azas virginaes desdobras sobre a terra...
Longe de ti eu choro, assim como na serra,
A doce jurity que soluça e padece,
Quando o Sol vai morrendo e quando a Noite desce.

Adeus, meu colibri! adeus, minha saudade!
Creancinha que eu amo, ó flor de castidade!
Mimoso lirio puro, innocente e gracil,
Camelia desbrochada ao sol do mez de Abril!

Adeus! Adeus! Adeus!
                     Sacode as azas puras,
O’ lindo sonho branco! e lança ás amarguras
De minha vida triste o pó de oiro sagrado,
Que ellas deixam cahir do sacrario estrellado
Que tens na cabecinha esplendida e divina,
O’ creança formosa, ó alma cristallina!

Alto da Saudade — 14 de Maio de 1899.