Página:Iracema - lenda do Ceará.djvu/22

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
– 2 –

Um jovem guerreiro cuja tez branca não cora o sangue americano; uma creança e um rafeiro que virão a luz no berço das florestas, e brincão irmãos, filhos ambos da mesma terra selvagem.

A lufada intermittente traz da praia um echo vibrante, que resoa entre o marulho das vagas:

— Iracema!...

O moço guerreiro, encostado ao mastro, leva os olhos presos na sombra fugitiva da terra: á espaços o olhar empanado por tenue lagrima cahe sobre o giráo, onde folgão as duas innocentes creaturas, companheiras de seu infortunio.

Nesse momento o labio arranca d'alma um agro sorriso

Que deixara elle na terra do exilio?

Uma historia que me contarão nas lindas varzeas onde nasci, á calada da noite, quando a lua passeava no ceo argenteando os campos, e a brisa rugitava nos palmares.

Refresca o vento.

O rullo das vagas precipita. O barco salta sobre as ondas; desaparece no horisonte. Abre-se a immensidade dos mares: e a borrasca enverga, como o condor, as foscas azas sobre o abysmo.