Página:Luciola.djvu/130

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se ao sol do Brasil nas margens risonhas da mais bela baía do mundo. Ela tinha e tem, comi a cor da Espanhola e os cabelos da Italiana, a suprema elegância do passo e da atitude que o solo parisiense inocula pelas plantas de suas filhas prediletas. Admirava e conhecia essa mulher de a ter encontrado algumas vezes, mas as nossas relações não passavam de uma polidez mútua.

Vendo-a, tive como um pressentimento de que essa mulher era a única que poderia apagar a lembrança de Lúcia. Levado por semelhante idéia, e também por esse desejo que temos todos de tocar com o ciúme o ouro de uma afeição, a fim de lhe conhecer o quilate, aproximei-me: conversamos alguns instantes.

Não sei se a senhora achará prazer na leitura destas cenas sem colorido, estirado diálogo entre dois atores, raro interrompido pelo mundo, que lhes atira um eco de seus rumores. Já tenho tido vezes de arrependimento depois que comecei estas páginas, que eu podia tornar mais interessantes, se as quisesse dramatizar com sacrifício da verdade: porém mentiria às minhas recordações e à promessa que lhe fiz de exumar do meu coração a imagem de uma mulher.

Fui ver Lúcia. Ela estava pensativa e distraía-se continuamente para fitar o óculo na direção do camarote do R... Nem uma palavra a respeito da francesa, o que me contrariava, como deve supor.

— Ainda há pouco te vi de um camarote!

— Onde está uma família?

— Não, de outro mais chegado à cena, disse sorrindo.

— Sei, também o vi na porta.