Página:Luciola.djvu/49

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Uma burra r vale mais do que uma cesta; e tu eras capaz de esvaziá-la num minuto!

— Então, adotada a meia hora? perguntou Sá interrompendo o Couto.

— Para mim é indiferente, respondeu o Rochinha acordando. Já se foi o tempo em que me embriagava com essas limonadas de espuma e esses vinagres do Reno. Sou uma velha esponja, meu caro: fui curtido a kirsch e rum.

— Manda-se preparar para ti uma gengibrada.

— Que bicho é esse?

— É uma infusão de gengibre fervida em aguardente de trinta e seis graus, com uma garrafa de marasquino.

— Deliciosa bebida! disse Lúcia. Não leva também algumas gotas de chumbo derretido?

— Finalmente, meus senhores, as duas horas em ponto, imola-se a razão no fundo das garrafas.

— Bravo! gritaram as mulheres em coro.

— Aceito por unanimidade!

— Posso imolar a minha desde já, gritou o Couto.

— Não admito! Requeiro que se respeitem as cãs. . .

— E a inocência dos criados.

— A vista das considerações devidas ao sexo, cedo!

— É melhor; mesmo porque seria difícil imolar o que não existe.

— Procedamos em regra. As duas horas portanto pára-se a pêndula. Abolição completa da razão, do tempo, da luz; e inauguração solene do reinado das trevas e da loucura. Até lá liberdade completa dentro dos limites da decência; tudo quanto possa