O desfecho dos amores palacianos de Camões e de D. Catharina de Athayde é o objeto da comedia, desfecho que deu logar á subsequente aventura de Africa, e mais tarde á partida para a India, donde o poeta devia regressar um dia com a imortalidade nas mãos. Não pretendi fazer um quadro da côrte de D. João III, nem sei se o permitiam as proporções minimas do escrito e a urjencia da ocazião.[1] Busquei, sim, haver-me de maneira que o poeta fosse contemporaneo de seus amores, não lhe dando feições epicas e, por assim dizer, postumas.
Na primeira impressão escrevi uma nota, que reproduzi na segunda, acrecentando-lhe alguma couza explicativa. Como na cena primeira se trata da anedota que motivou o epigrama de Camões ao duque de Aveiro, disse eu ali que, posto se lhe não possa fixar data, uzára desta por me parecer um
- ↑ A peça foi escrita para as festas organizadas no Rio de Janeiro, pelo Gabinete Portuguez de Leitura, no tricentenario de Camões e reprezentada no teatro de D. Pedro II, em 10 de Junho de 1880. Imprimiu-se a primeira vez na Revista Brazileira (1 de Julho de 1880) e a segunda em cem exemplares numerados e assinados pelo autor (edição Lombaerts, Rio de Janeiro, MDCCCLXXXI).
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