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MARAVILHAS DA CREAÇÃO


d’uma arvore. Servem-lhe de base os ramos d’esta, ligados com barro amassado, sendo pouco fundo e tapisado com pennugem e outras substancias macias. Servindo o mesmo ninho durante annos, acontece que os ramos sobre que é feito, lançando novos rebentos, o envolvem completamente, occultando-o a todas as vistas. A fêmea põe dois ovos e raras vezes tres.

No Cabo da Boa Esperança os secretarios são muito queridos dos colonos, não só pelos serviços a que já nos referimos, como tambem pela facilidade com que se domesticam quando são novos, podendo viver nas capoeiras com as aves domesticas, e livrando-as dos ataques dos reptis venenosos e dos ratos. Não pára aqui o seu préstimo. Conta-se que ao vêr brigar dois indivíduos, dos que vivem com elles na mesma capoeira, os separam, empregando a força se tanto fôr mister.

É preciso, porém, não esquecer alimental-os convenientemente, sem o que não porão duvida em devorar algum dos frangãos.

No Cabo da Boa Esperança poucas ca- sas ha onde não exista uma d’estas aves, e é prohibido matal-as sob penas severas. Para as Antilhas francezas foram transportadas algumas em 1832, com o fira de destruírem uma terrível cobra, alli muito frequente.

OS FALCÕES

Esta terceira família da sub-ordem das aves de rapina diurnas, muito numerosa, comprehende grande numero de géneros e corresponde ao género falco de e á tribu dos falconidés dos naturalistas francezes.

A esta família pertencem as aves de rapina mais perfeitas, tendo os caracteres geraes seguintes: corpo refeito, cabeça regular e pescoço curto coberto de pennugem, bico relativamente curto mas muito vigoroso, com a mandíbula superior denteada nos lados, recurva e aguda na extremidade, azas grandes, cauda sobre o comprido e muito larga, e unhas fortes, muito aduncas e afiadas.

São caçadoras e carnívoras, alímentando-se geralmente da carne dos anímaes que podem alcançar e prender nas garras, sendo de todas as aves as mais corajosas e intrépidas. Vôam com

grande rapidez e remontam a considerável altura, não se demorando no solo além do tempo necessário para empolgarem a presa. Encontram-se em todas as partes do globo, sós ou aos pares, reunindo-se algumas vezes para caçar ou quando emigram. As espécies, de que em seguida fazemos a historia, são as mais importantes dos géneros príncípaes em que se divide esta família.


O CARACARÁ VULGAR
Falco brasiliensis, de Gmelin — Le caracará du Bresil, dos francezes

A espécie de que vamos tratar pertence ao género polyborus, que faz a transição dos abutres para os falcões, tendo como aquelles o papo saliente, parte da face nua, o bico grande, pouco curvo e direito na base, os dedos compridos principalmente o do meio, e armados de unhas levemente curvas. Além do caracará vulgar, o mais commum d'este grupo de aves que vivem na America do Sul, existe mais o caracará chimango e o caracará chimachima (milvago chimango e milvago chimachima.) O caracará vulgar tem 0,38 de comprido e mais de 1,m 30 de envergadura. Na parte posterior da cabeça possue uma espécie de poupa negra atrigueirada, as costas trigueiras escuras com riscos brancos transversaes, as faces, a garganta e a parte inferior do pescoço brancas ou brancas amarelladas, o ventre, as coxas e as remiges na base e nas pontas trigueiras escuras, sendo estas ultimas brancas no centro, com as barbas cortadas de riscas estreitas transversaes, e de pequenas malhas escuras; as rectrizes brancas cortadas transversalmente por algumas riscas trigueiras claras e trigueiras escuras nas extremidades. A cera e a parte que lhe contorna os olhos brancas amarelladas, o bico azulado, os pés amarellos tirantes a côr de laranja.

Habita esta ave no Brazil e em toda a America do Sul, sendo principalmente frequente nas proximidades dos pântanos. Apparece também nas grandes planicies, nos bosques pouco espessos, mas nunca nas florestas virgens. O nome porque vulgarmente é conhecido o caracará foi-lhe dado por imitação do seu grito mais habitual, que solta deitando a cabeça sobre as costas, de