das visionárias pupilas outra precursora alegoria repassada de beleza espiritual e de sublime idealidade contidas neste formoso soneto[1] expressivamente revelador de uma verdadeira alma de poeta:
Cristo prégava. A sua voz divina
Ecoava amorosa em toda a terra.
― No pescador e no pastor da serra,
No velho e na creança pequenina.
César ao ver que um ontro rei domina
Ante a uova realeza que o aterra,
A quem prégava a paz movin a guerra.
Mas Cristo in semeando a sua doutrina...
Vem implorar-lhe a graça redentora
Madalena ― a formosa pecadora ―
Desgrenhado a exbelo, a face em pranto...
E Jesus perdoou, porque eram feitos
Da perdão e do amôr os seus preceitos
― E ela só por amor pecára tanto!...
Dir-se-ia que algum espirito sobrenatural adejava em tôrno dos meus pensamentos e os movia e agitava na direcção da sonhada aspiração de indulgências. Estabelecia-se a cadeia mágica dos eflúvios invisiveis projectados do fluido astral que atrai e galvanisa as almas fundindo-as na substancia ideal que os divinisa apartadas da matéria.
A electricidade da eloquência repercutiu-se na veemência da emoção. Vibrára a corrente das piedosas simpatias que con-
- ↑ Á imagem de Santa Maria Madalena do Anasaco.