sepultura da felicidade dos lares. Ainda aí tem direito á defeza, a maior vitima de uma paixão que embora seja um delirio, é tambem um amor desabrochado numa relatividade de almas.
Que lhe reserva o futuro?
Dores e tormentos? Quem o sabe? Mas se assim fôr, nem assim deixará de ser amor, que se transforma em dôr para cristalisar na luz que esclarece os espiritos e adelgaça nuvens da ignorancia.
Ha de permeio dêste drama as conveniencias de um marido? Pobre tambem dêle que não soube entender a mulher nem se esforçou por entende-ia. Agora já é tarde para reconquistá-la, e pouco humano que insista em persegui-la.
Talvez fôsse mais nobre que lhe dissesse como aquele nobre Roberto das «Cartas de Amor», de Teixeira de Queiroz: «Diz ao homem que para te conquistar destruiu o meu lar e desfez a minha enganadora ventura, que afinal lhe perdôo a ele se fôr necessario para que sejas feliz.
Reconheço-o como meu supremo inimigo porque me esmagou fibra a fibra o coração.
Mas perdôo-lhe porque antes dele fôra eu culpado de não saber cultivar o teu amor.»
Fiz aqui a apologia do adultério? Ensinei às mulheres casadas o tortuoso caminho da perdição e da deshonra?
Bem longe disso. Desejo tanto e tão ardentemente a virtude de todas as mulheres, como a ambiciono e quero cultivar na alma inocente e idolatrada das minhas netinhas.
O que eu aqui defendo é uma mulher que me deu a impressão de uma pobre e amorosa andorinha esfacelada nama jaula de feras. Estudo no campo da psicologia a origem desta paixão que incorre em classificação de pecado,