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Página:O precursor do abolicionismo no Brasil.pdf/165

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O PRECURSOR DO ABOLICIONISMO NO BRASIL
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Conta-se efetivamente que o advogado baiano, numa dessas sessões, não se sabendo propriamente em qual, se na Capital ou no interior, num momento de extrema excitação, parece que em resposta a um aparte mordente ou patético da promotoria pública. exclamara com grande escândalo :

“O escravo que mata o senhor, seja em que circunstancia fôr, mata sempre em legitima defesa.”

O episodio vem narrado no trabalho de Lucio de Mendonça, no mesmo que ele decalcou sobre a Carta de Gama e não traz referencia nem de local nem de data. Não faz parte da biografia escrita pelo abolicionista. E’ contribuição pessoal do proprio Lúcio. Depois deste, repetiu-o Alberto Faria, o de Campinas, na sua conferencia publicada a 13 de maio de 1924, no “Estado de São Paulo”. Aceitou-o ainda o dr. J. J. Cardoso de Melo Neto, na conferencia realizada a 28 de março de 1931, no Teatro Municipal de São Paulo, em beneficio da herma que foi erigida no Largo do Arouche. E por fim reproduz o episódio Artur Motta, na “Pagina da Academia”, que a Folha da Manhã” publicava aos domingos, ao estudar a 15.ª cadeira (edição de 9 de fevereiro de 1936).

Já encontrei quem me afirmasse que o caso se passou no Tribunal do Juri de Araraquara, tendo a frase produzido tamanha tempestade que o presidente se viu obrigado a suspender a sessão.

Não sei se será fiel a reprodução do contexto da frase de Gama. Parece que não foi pronunciada daquela forma.