Página:O seminarista (1875).djvu/87

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Eis a razão por que Eugênio, que todos desejavam e esperavam ver brilhar na conversação como um pequeno sábio, representou o papel tristíssimo que vimos, diante de pessoas que desde a infância lhe eram familiares. Não era por certo, que ele não sentisse no cérebro um turbilhão de idéias, e mil sentimentos estuarem-lhe no coração; mas é que o espírito está sujeito As mesmas leis do corpo a certos respeitos. Como aquele, que esteve longos anos encarcerado, ao sair da prisão não pode mover mais os membros entorpecidos, assim o espírito recluso largo tempo entre as paredes de um claustro, atado continuamente ao poste do estudo forçado e da oração, sente-se paralisado, quando lhe é mister desenvolver-se em uma esfera mais ampla e mais livre.

Verdade é que a situação de Eugênio era naquela ocasião sobremaneira melindrosa. Seu coração passava por uma crise violenta e profunda, como o leitor pode imaginar. Se a imagem da simples e travessa menina de doze anos não se tinha apagado do espírito durante uma ausência de quatro anos, a presença real dela agora transformada em mulher, antes em anjo radiante de mocidade e formosura, o havia deslumbrado e