Página:Obras poeticas de Claudio Manoel da Costa (Glauceste Saturnio) - Tomo II.djvu/209

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OBRAS POETICAS


Ergue-se; toma a espada e acometido
Se vê apenas, quando reparada
A ferida do dardo, mete a espada
Por um lado ao traidor, em sangue envolta
A tira e a mão suspende; a um tempo solta,
A corrente de sangue inunda a terra;
O índio semivivo os dentes ferra,
Acena de morrer, e grita, e brada
Em roucas vozes, com que amotinada
Tem toda a gente, que ao sucesso acode.
Debalde a conjectura alcançar pode
O mesmo, que está vendo; estranho e oculto
É o motivo do aleivoso insulto.
Faminto lobo no redil fechado
Assim receoso entrou; mas acossado
Do molosso feroz, foi de repente
Cair despojo ao sanguinoso dente.

Conhecendo Albuquerque, que respira
Inda vivo, a um dos pousos o retira,
E lhe põe sentinelas; manda entanto
Se lhe apliquem remédios: o óleo Santo,
Que ministra de Bueno a mão experta,
Estanca o sangue, e da ferida aberta
Cerrando a boca, inda a esperança anima
De que a morte de todo o não oprima.



CANTO IV


A continuar a marcha se dispunha
O Herói, que um vivo zelo testemunha
Em todos que os seguem; repartidos
Aqueles a quem são mais conhecidos
Os Sertões, pela margem se espalhavam
À direita do Rio e se empregavam