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LIMA BARRETO

As paginas que se seguem vão revelal-os e eu me dispenso de narral-os neste curto prefacio. Pobre terra da Bruzundanga! Velha, na sua maior parte, como o planeta, toda a sua missão tem sido crear a vida e a fecundidade para os outros, pois nunca os que nella nasceram, os que nella viveram, os que a amaram e sugaram-lhe o leite, tiveram socego sobre o seu sólo!

Ainda hoje, quando o geologo encontra nella um queixal de megatherium ou um fémur de propithecus tem vontade de offerecer á Minerva uma hecatombe de bois brancos!

Vivos, os bons são tangidos daqui para alli, corridos, vexados, se tem grandes ideiaes; mortos, os seus ossos esperam que os grandes rios da Bruzundanga os levem para fecundar a terra dos outros, lá embaixo, muito longe...

Tudo nella é caprichoso, e vário e irregular. Aqui terreno fértil, úbere; acolá, bem perto, esteril, arenoso.

Se a jusante sobra cal, falta agua; se ha para montante, falta cal...

As suas florestas são caprichosas tambem; as essencias não se associam. Vivem orgulhosamente isoladas, tornando-lhes penosa a exploração. Aqui, está uma espécie e outra semelhante só sé encontrará mais além, distante...

Envelheceu, está caduca e tudo que vem para ella soffre-lhe o contagio da sua antiguidade: caduquece!

Comtudo, e talvez por isso mesmo, os seus costumes e habitos podem servir-nos de ensinamento, pois, confor-