— Nem eu te digo outra cousa. E’ difficil, come tempo, muito tempo, leva annos, paciencia, trabalho, e felizes os que chegam a entrar na terra promettida! Os que lá não penetram, engole-os a obscuridade. Mas os que triunpham! E tu triumpharás, crê-me. Verás cahir as muralhas de Jerichó ao som das trompas sagradas. Só então poderás dizer que estás fixado. Começa nesse dia a tua phase de ornamento indispensavel, de figura obrigada, de rotulo. Acabou-se a necessidade de farejar occasiões, comissões, irmandades; ellas virão ter comtigo, com o seu ar pesadão e crú de substantivos desadjectivados, e tu serás o adjectivo dessas orações opacas, o odorifero das flores, o anilado dos céus, o prestimoso dos cidadãos, o noticioso e succulento dos relatorios. E ser isso é o principal, porque o adjectivo é a alma do idioma, a sua porção idealista e metaphysica. O substantivo é a realidade nua e crua, é o naturalismo do vocabulario.
— E parece-lhe que todo esse officio é apenas um sobresalente para os deficits da vida?
— De certo; não fica excluida nenhuma outra actividade.
— Nem politica?
— Nem politica. Toda a questão é não infringir