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LXVII


Vê Londres, vê Paris, terra das ceias,
Feira do amor a toda a bolsa aberta;
No mesmo laço, as bellas como as feias,
Por capricho ou razão, iguaes aperta;
A idade não pergunta ás taças cheias,
Só pede o vinho que o prazer desperta;
Adora as outoniças, como as novas,
Torna-se heróe de rua e heróe de alcovas.

LXVIII


Versos quando os compõe, celebrão antes
O alegre vicio que a virtude austera;
Canta os beijos e as noites delirantes,
O esteril gozo que a volupia gera;
Troca a illusão que o seduzia d′antes
Por maior e tristissima chimera;
Ave do céo, entre os osculos creada,
Espalha as plumas brancas pela estrada.

LXIX


Um dia, emfim, cansado e aborrecido,
Acorda Heitor; e olhando em roda e ao largo,
Vê um deserto, e do prazer perdido