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Passa, deixando-me a alma adormecida
     N’um extase de amor?




O’ tu, quem quer que sejas, anjo ou fada,
     Mulher, sonho ou visão,
Ineffavel belleza, sê bem vinda
     Em minha solidão!

Vem, qual raio de luz dourando as trevas
     De um carcere sombrio,
Verter doce esperança n’este peito
     Já de illusões vazio.

Nosso amor é tão puro! — antes parece
     A nota aerea e vaga
De ignota melodia, extase doce,
     Perfume que embriaga!...

Amo-te como se ama o albor da aurora,
     O claro azul do céo,
O perfume da flôr, a luz da estrella,
     Da noite o escuro véo.