Página:Poesias (Bernardo Guimarães, 1865).djvu/67

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Êxtase santo paira entre perfumes,
E se ouve a voz de Deos. — O’ musa, ao ermo!..

Como é formoso o céo da patria minha!
Que sol brilhante e vivido resplende
Suspenso n’essa cupola serena!
Terra feliz, tu és da natureza
A filha mais mimosa; — ella sorrindo
N’um enlevo de amor te encheu d’encantos,
Das mais donosas galas enfeitou-te;
Belleza e vida te espargio na face,
E em teu seio entornou fecunda seiva!
Oh! paire sempre sobre os teus desertos
Celeste benção; bem fadada sejas
Em teu destino, ó patria; — em ti recobre
A prole de Eva o Eden que perdêra!

II.


Olha: — qual vasto manto que fluctua
Sobre os hombros da terra, ondêa a selva,
E ora surdo murmurio ao céo levanta,
Qual prece humilde, que no ar se perde,
Ora açoutada dos tufões revoltos,