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A MORTE DE UMA FAMOSA ALCOVITEIRA

Génio só dado a sórdidas torpezas,
Que usas comprar na immunda Cotovia
Chochos agrados de venaes bellezas:

Solto o cabello, as carnes arripia
Na morte d′esta illustre recoveira,
E inspira-me tristíssima elegia.

Honrada, e a mais sabida alcoviteira,
A ti consagro este cypreste umbroso,
Com que te enramo a esquálida caveira;

Emquanto pelo rio pantanoso
A ouvir te leva o pallido Charonte
Severas leis de Minos rigoroso.

Alçando pai*a o ar a crespa fronte
Os ouvidos estende ás vozes minhas.
Quando no mundo os teus louvores conte.

Vós, moças do Bairro-Alto e Fontainhas,
Vós testemunhas sois da grande falta
Que chorando contais entre as visinhas.