Página:Poesias eroticas, burlescas e satyricas.djvu/40

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I

Pavorosa illusão da Eternidade,
Terror dos vivos, cárcere dos mortos;
D′almas vãs sonho vão, chamado inferno;
Systema da politica oppressora,
Freio, que a mão dos déspotas, dos bonzos
Forjou para a boçal credulidade;
Dogma funesto, que o remorso arreigas
Nos ternos corações, e a paz lhe arrancas:
Dogma funesto, detestável crença.
Que envenenas delicias innocentes!
Taes como aquellas que no céo se fingem:
Fúrias, Cerastes, Dragos, Gentimanos,
Perpetua escuridão, perpetua chamma,
Incompatíveis producções do engano.
Do sempiterno horror horrível quadro,
(Só terrível aos olhos da ignorância)