Página:Ursula (1859).djvu/139

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

que muito lhes alongava o caminho; mas que evitava o encontro do comendador.

Úrsula caminhava agora desassombrada e feliz, reclinada a cabeça no ombro do mancebo, que ela amava mais que a vida.

E uma noite prateada pelos raios da lua lhes amenizava a fadiga da viagem.

E ao alvorecer do dia, depois de longa e porfiada carreira, chegaram cansados à cidade de ***, em demanda do convento de Nossa Senhora da ***.

Meia légua fora da cidade erguiam-se denegridas pelo tempo as velhas paredes do antigo convento, com suas gelosias também esfumaçadas pelo tempo, e que escondiam zelosas às vistas indiscretas as puras virgens dedicadas ao Senhor.

Era um edifício antigo na sua fundação, grave e melancólico no seu aspecto: era a casa do Senhor sem ostentação. As virgens que o habitavam, longe do mundo, não conheciam deste os gozos de um momento; mas também em suas almas não amargavam o doloroso pungir de profundos pesares. Viviam no remanso da paz; porque a solidão e o retiro davam-lhe aquela doce inocência, que constitui a candura da alma; e essa vida de castos enlevos dedicavam-na ao Deus do Calvário.

E Ele escutava-lhes os sagrados cânticos e acolhia-os; porque vinham de inocentes e angélicas criaturas, de consciência reta e pura, e votadas ao serviço do Senhor.

E o Senhor ama àqueles que na pureza da sua alma erguem-lhe os carmes de um hino melodioso, e abrem-lhe o coração como um sacrário sem mancha; ou, como a pecadora, mostram-se profundamente arrependidos;